A Lei Geral do Licenciamento Ambiental
O PL da “mãe de todas as
boiadas”
O Projeto de Lei
2.159/2021 está em tramitação nas comissões de Agricultura e Reforma Agrária e
Meio Ambiente, onde foi aprovado em 2021 pela Câmara num contexto de retrocesso
no diálogo e tratativas ambientais.
O licenciamento ambiental
é a principal ferramenta administrativa para regulamentar as atividades de
empreendimentos utilizadores de recursos ambientais potencialmente poluidores
ou capazes de trazer danos ao meio ambiente. É a forma que temos no país de
mitigar impactos à natureza, à água, à vida e saúde.
CORRERIA
Com o relançamento do PAC
(Programa de Aceleração do Crescimento) em agosto de 2023, a movimentação para
aprovação torna o debate ainda mais urgente. A dicotomia latente entre
progresso/agilidade x condicionantes essenciais do meio ambiente são a tônica
dessa discussão que se arrasta desde 2004, quando foi lançado o texto inicial.
IPHAN PRA QUÊ?
O texto do PL apresenta
problemas sérios e que podem afetar a atual forma de licenciamento e trazer
ônus às populações indígenas, quilombolas e sítios arqueológicos. O texto, tal
qual se apresenta, retira a autonomia dos órgãos como o IPHAN. Sem o poder de
veto, não haverá alternativa senão medidas compensatórias.
AUTOLICENCIAMENTO
O principal ponto e mais
alarmante é a LAC (Licença Ambiental por Adesão e Compromisso) que basicamente
deixará a cargo do empreendedor atestar a viabilidade da instalação e operação
do seu próprio empreendimento, numa lista que poderá ser extensa.
CÁ ENTRE NÓS, COMO
FICAMOS?
Num contexto onde cada
vez mais escassas as vagas de trabalho na Arqueologia e mais limitações são
colocadas à prática arqueológica em empreendimentos, o PL 2.159/2021 representa
a marginalização do principal órgão fiscalizador do patrimônio arqueológico no
país, o IPHAN, além da diminuição drástica de trabalhos no setor da Arqueologia
resultando no esvaziamento dos cursos de graduação, pós-graduação e evasão de
profissionais. Sem emprego, sem perspectivas futuras.
E AGORA, JOSÉ?
O fortalecimento da
categoria é urgente e necessário para termos acesso ao diálogo com as partes,
papel ativo no processo e ganhar voz e espaço. Somente com a categoria apoiando
é que poderemos reivindicar o nosso direito de estar e lutar para que não
reduzam nossa atuação e autonomia. A luta pelo patrimônio arqueológico e defesa
da nossa profissão depende da força de cada um de nós. Por uma Arqueologia
sindicalizada!
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